sexta-feira, maio 01, 2026

Um cidadão distraído

 Um lapso técnico, dizem. Uma coisinha sem importância, resolvida com uma segunda declaração ao fisco, como quem corrige um número mal escrito num papel qualquer. Nada de especial. Só o primeiro-ministro, só uma empresa familiar, só um circuito de faturação que afinal precisava de um “acerto”. Coisas pequenas, daquelas que acontecem a qualquer cidadão distraído.


Durante anos falou-se da Spinumviva, mas claro, era só ruído. Gente a implicar, a desconfiar, a fazer perguntas incómodas. Agora percebe-se: afinal era tudo simples. Tão simples que exigiu investigações, procuradores, manchetes e um país inteiro a olhar. Um exagero pegado, como sempre.

E há até quem mereça aplauso. O trabalho intenso, a persistência, o escrutínio. Para quê tudo isso, se bastava um formulário corrigido e uma caneta firme? Quase dá pena. Tanto esforço para chegar à conclusão de que, no fundo, não era nada.

Fica a lição. Em Portugal, quando se trata de poder, os problemas encolhem. Tornam-se “coisitas”. Já para o cidadão comum, um erro desses não é distração, é multa, é juros, é aperto. Mas isso são detalhes. O importante é manter a serenidade: confiar que tudo se resolve com calma, especialmente quando se está no topo.

No fim, respira-se de alívio. Afinal, era só isto. Um país inteiro inquieto por uma coisinha de nada.  Ai Amadeu já te podes reformar 

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