A desinformação sempre existiu. O que mudou foi a escala e a velocidade. Hoje há máquinas de amplificação. Algoritmos que empurram o que gera mais reação, não o que é mais verdadeiro. O choque, o medo, a indignação vendem mais do que a análise calma.
Quando o negócio dos média depende de audiências e cliques, o risco é evidente. O debate perde espaço para o espetáculo. O comentário substitui a reportagem. A pressa vence a verificação.
Há também outra realidade dura. Quem tem poder económico ou político tenta sempre influenciar a narrativa pública. Não é novo na história. A diferença é que agora a influência pode circular em segundos e chegar a milhões de pessoas sem filtro.
Perante isto há duas respostas possíveis. A resignação ou a lucidez.A lucidez começa por algo simples. Procuro várias fontes. Leio posições diferentes. Dou mais valor a quem mostra . A responsabilidade do jornalismo sério continua a ser fundamental. Sem imprensa livre e exigente a democracia fica frágil.Mas há também uma dimensão individual. Cada pessoa que recusa partilhar uma mentira, cada pessoa que procura compreender antes de reagir, cada pessoa que exige mais rigor aos média está a fazer uma pequena resistência cívica.
A luta é desigual. Sempre foi. A verdade raramente tem a força imediata da mentira. A mentira espalha se depressa porque é simples e emocional. A verdade exige tempo, contexto, pensamento.Mesmo assim a história mostra uma coisa. Sociedades que abandonam a verdade acabam prisioneiras da manipulação e do medo. Não abdico
Por isso manter a lucidez já é uma forma de resistência. Não ceder ao ruído. Não abdicar de princípios. Continuar a procurar o que é justo e verdadeiro mesmo quando o ambiente à volta empurra para o contrário. Isso nunca foi o caminho mais fácil. Mas muitas vezes é o único que preserva a dignidade.