domingo, março 01, 2026

Coimbra e as castas

 


      Coimbra e as castas 

Falar de castas é falar de estruturas do poder acumulado ao longo de séculos. A Universidade de Coimbra não é apenas uma instituição de ensino. É o maior empregador qualificado da cidade, é produtora de prestígio simbólico, é rede de contactos nacionais e internacionais. Quem passa por ali integra um circuito que se estende aos tribunais, à administração pública, à política, à advocacia, à magistratura, à comunicação social. Isto cria continuidade de influência.Quando uma cidade depende fortemente de uma única instituição, torna-se uma elite orgânica. Não é necessariamente ilegal nem conspirativa. É estrutural. Professores recomendam alunos. Antigos alunos promovem antigos colegas. Conselhos gerais e fundações cruzam nomes repetidos. O capital académico transforma-se em capital social e depois em poder real.O problema surge quando essa elite se fecha. Quando o recrutamento é pouco transparente. Quando a progressão parece depender mais de proximidade do que de mérito. Quando os cargos circulam sempre entre os mesmos grupos. A perceção de casta nasce aí.Há também a dimensão económica. Coimbra perdeu indústria, perdeu peso empresarial , perdeu peso político  e sem tecido económico diversificado, a universidade torna-se ainda mais central. Quem não está nesse circuito sente menor mobilidade social. Jovens qualificados acabam por sair. Fica a dependência.Historicamente, a própria divisão simbólica entre estudantes e população local consolidou uma hierarquia cultural. A tradição académica tem valor. Mas quando tradição se transforma em barreira social, cria distância.Por outro lado, a universidade trouxe conhecimento, investigação, saúde, cultura. A saúde , os polos tecnológicos, a projeção internacional. Não se pode ignorar isso. O que está em causa não é a existência de uma instituição forte. É o equilíbrio de poder.Uma cidade democrática precisa de diversidade económica, transparência nos cargos públicos, participação cívica ativa, imprensa local forte, escrutínio real. Sem isso, qualquer núcleo dominante cristaliza.A questão central não é se Coimbra tem castas. É se existe mobilidade entre elas. Se um jovem de origem modesta consegue entrar, progredir e decidir. Se a influência serve o interesse comum ou se se protege a si própria.Castas não se combatem com ressentimento. Combatem-se com regras claras, concursos transparentes, limitação de mandatos, abertura à sociedade civil e cultura de prestação de contas.Sem igualdade de oportunidades, a tradição transforma-se em privilégio. E privilégio prolongado gera estagnação. E qual a razão deste texto , porque sinto isso , e porque sou um homem de pensamento livre sem a preocupação de agradar ou afrontar e porque me estou nas tintas para os críticos que por aqui aparecem e me criticam constantemente 

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