segunda-feira, maio 04, 2026

80 anos do menino Henrique

 


80 anos do menino Henriquinho 

Há coisas simples que dizem muito sobre a vida. Fazer 80 anos é uma delas.


O primo, o menino Henriquinho, chegou lá com um percurso cheio, feito de trabalho, viagens e memória. Passou por Moçambique, por Angola, trouxe pedaços de mundo e histórias que não cabem todas numa tarde. Agora está em Portugal, mais quieto, mas não parado. Quem viveu assim não pára por dentro.


Teve uma ideia bonita. Juntar os primos. Aqueles que hoje quase só se encontram quando alguém parte. Noutros tempos havia casamentos, baptizados, a feira de Seiça. A vida foi mudando o calendário dos encontros. Talvez por isso este convite tenha ainda mais valor.


Vieram os de fora de Lisboa, de comboio, como antigamente. Um ar de excursão, conversa solta, memória a puxar memória. Só faltou o garrafão a passar de mão em mão. Muitos cabelos brancos, é verdade. Mas sobretudo muita vida vivida. E isso pesa mais do que os anos.


À mesa houve de tudo. Histórias boas, outras que ainda doem. Riram-se, lembraram quem já não está, falaram do que ficou por fazer e do que ainda pode ser feito. Porque enquanto há encontro, há caminho.


No fundo foi isso. Não foi só um aniversário. Foi um regresso. À família, às raízes, ao que resiste ao tempo. Num tempo em que se perdem referências e valores, ter família continua a ser refúgio e porto seguro. E isso não é pouco.

E foi bonita a festa. Filhos e netos juntos, vindos do Brasil, da Suíça e de Inglaterra. Tudo à volta de um homem que chegou aos 80 com vida dentro. E isso vê-se. Sente-se. E fica.

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