Porque hoje fico em casa.
Hoje é dia de cortejo.
A cidade veste-se de festa, de capas ao vento, de músicas, abraços e despedidas. É bom para Coimbra. Os restaurantes enchem-se, as ruas ganham vida, as famílias chegam para ver os filhos num dos dias que mais guardarão na memória. E ainda bem que assim é.
Eu próprio sou suspeito para falar. Já tive duas filhas nestas andanças. Vivi a emoção, a ansiedade, o orgulho silencioso de pai a olhar para elas naquele ritual tão coimbrão, tão único. A terceira não viveu essa experiência porque não tirou o curso em Coimbra, mas percebo bem o significado destes dias.
Hoje prefiro ficar em casa. Talvez porque os anos também nos mudam a forma de viver as coisas. Há festas que começamos a olhar mais à distância, com ternura, memória e algum silêncio dentro de nós.
Respeito profundamente a alegria de quem celebra e até a tristeza de quem parte. Porque quem foi estudante em Coimbra dificilmente esquece a cidade, os amigos, os amores, as noites longas, as conversas sem fim e aquela sensação de que a vida inteira ainda estava pela frente.
Há cidades que passam por nós. Coimbra não.
Coimbra fica.
Mas isto é um coimbrinha a falar que foi estudante do ISCAC numa altura em que este e outros eram parentes pobres do ensino em Coimbra .
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