15 de Maio de 2026
Notícia do dia.
“Pobreza infantil, trabalhadores pobres, famílias inteiras a sobreviver com ajudas apesar de trabalharem todos os dias. Mais de um milhão de pessoas em privação material severa. Crianças a viverem em casas sem condições mínimas. E depois perguntamo-nos como é possível haver descrença, revolta e afastamento das pessoas da política e das instituições.”
O mais assustador nem é apenas a pobreza. É a capacidade de muitos se habituarem a ela. Como se fosse normal existirem pessoas que trabalham e continuam pobres. Como se fosse inevitável haver crianças sem o básico enquanto outros vivem no excesso, na futilidade e no esbanjamento permanente.Culpar este ou aquele lado político é sempre o mais fácil. A culpa nunca é dos próprios, é sempre dos outros. Mas um país não pode continuar décadas a discutir responsabilidades enquanto tanta gente vive sem dignidade.
Sou agnóstico. Mas acredito profundamente nos princípios básicos da vida: humanidade, justiça social, solidariedade e respeito pelo outro. E confesso que me impressiona ver tantos que falam diariamente de moral, religião e valores cristãos conseguirem conviver tão tranquilamente com esta realidade.
Porque nenhuma sociedade pode considerar-se verdadeiramente civilizada quando há crianças sem condições mínimas de vida e trabalhadores pobres a precisarem de ajuda para sobreviver.
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