sábado, maio 16, 2026

Não quero estragar a festa da subida da Académica

 Não quero estragar a festa.


Fui sócio desde os anos 60. Apenas deixei de o ser em dois períodos particularmente tristes da vida do clube. Não explicarei as razões, porque não quero alimentar divisões entre academistas.


Na próxima semana voltarei a fazer-me sócio. Não porque agora cheire a vitória, mas porque este é o meu clube de sempre. O clube da minha vida, da minha cidade, de tantas memórias e afectos.


Foi bonita a festa, malta. Merecida. Sentida. Vivida por todos aqueles que nunca deixaram morrer a esperança.


Mas agora chega a dura realidade da II Liga.
E, pelo que dizem os entendidos, serão precisos pelo menos 4 milhões de euros por época, além da resolução de dois processos de insolvência: um em fase final e outro ainda nos tribunais.


Terá Coimbra condições para um investimento desta dimensão?
Tenho muitas dúvidas.


Talvez sejam necessárias novas soluções, criatividade, união e gente capaz de pensar o clube para lá dos entusiasmos momentâneos, sem nunca perder aquilo que não pode ser negociado: a identidade da Académica.


Pode parecer despropositado escrever isto num momento de alegria e festa. Talvez seja.
Mas apeteceu-me falar não como dirigente, especialista ou candidato a alguma coisa. Apenas como um cidadão desta cidade, alguém que ama profundamente o clube e que se preocupa genuinamente com o seu futuro.


Porque os clubes históricos não vivem apenas de vitórias.
Vivem da memória, da resistência, da identidade e das pessoas que continuam presentes quando tudo se torna mais difícil.


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