segunda-feira, fevereiro 23, 2026

Uma nomeação oportuna

 



Primeiro,  Luís Neves  construiu o seu percurso na Polícia Judiciária, com trabalho feito , agora  assume a pasta da Administração Interna, no governo O padrão Margarida Blasco , Amadeu Guerra e agora Luís Neves . Não está em causa a competência pessoal de ninguém. O problema é político e institucional.Quando responsáveis máximos pela investigação criminal transitam para funções governativas na área da segurança, a linha entre poder político e aparelho de investigação fica mais sensível. Mesmo que tudo seja legal, a democracia não vive apenas de legalidade formal. Vive de confiança pública e de separação clara de poderes.Acresce que o primeiro ministro tem enfrentado escrutínio mediático e averiguações preliminares. Nesse contexto, qualquer escolha para áreas como Justiça ou Administração Interna deve ser ainda mais transparente e fundamentada. Não por suspeição automática, mas por exigência democrática. A pergunta legítima não é se há algo escondido. É se o sistema garante distância suficiente entre quem governa e quem investiga. A democracia protege- se com instituições fortes e independentes. Sempre que essa fronteira parece estreitar-se, o debate é não só legítimo como necessário.Desejo um bom mandato a Luís Neves com alguma ingenuidade , mas sem hipocrisia , afirmo  que ainda acredito na responsabilidade individual e no serviço ao bem comum. Mas ao acreditar não dispensa a  vigilância cívica. Pelo contrário. É essa vigilância que protege a democracia.


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