segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Será que o tempo faz sentido

 Será que o tempo faz sentido 


Chega um tempo em que o passado deixa de ser memória solta e passa a ser matéria de balanço. Não por fraqueza, mas por consciência. Quem nunca se interroga vive à superfície.

Os amores e os desamores não são erros nem acertos. São marcas. As boas e as más decisões não se anulam. Constroem quem somos. As participações, políticas ou outras, mesmo quando falharam, deram aprendizagem, deram chão, deram sentido em determinado momento. Nada disso é desperdício.

Esses pensamentos martelam -me porque estou lúcido . Porque o tempo deixou de parecer infinito. Quando percebo que o tempo que resta é menor do que o vivido, a pergunta muda. Já não é o que conquistei, é o que faço com o que sou.

Viver com peso não é obrigação. O balanço não serve para castigo. Serve para escolha. Há ainda muito para fazer, mesmo em menos tempo. Às vezes até mais importante. Mais limpo. Mais verdadeiro.

Mais um dia é um dia ganho. Não por produtividade. Por presença. Por não desistir de estar vivo por dentro.

A dúvida metódica é saudável. Mas a resposta já a tenho .Se voltasse atrás, faria tudo igual. Não por teimosia, mas porque cada momento foi vivido com as ferramentas que tinha naquele instante. Não há tribunal mais justo do que esse.

O sentido não está em reescrever o passado. Está em libertá-lo para não me prender o futuro.

E isso também é coragem.

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