terça-feira, fevereiro 10, 2026

Socialismo

 



Socialismo” é daquelas palavras empurradas para o canto, tratada como fantasma de outro tempo. Falam dela como ameaça, nunca como memória do que conquistámos juntos.   Entre PS e PSD já quase só mudam as caras e o slogan. A vida real fica para segundo plano, enquanto se trocam promessas de mercado livre, menos Estado, mais “eficiência”, como se a sociedade fosse apenas uma empresa à procura de lucro.   Até que vem a ventania. O telhado voa, a rua alaga, o fogo aproxima-se. E, de repente, já ninguém pergunta pelo “empreendedorismo”: querem-se ambulâncias, bombeiros, escolas que acolham, serviços públicos que respondam. Quer-se alguém que não deixe ninguém cair.  Chamam-lhe socialismo, como se fosse um insulto. Mas, nesses dias de medo, não é ideologia: é só a lembrança de que ninguém se salva sozinho. E de que a tal palavra proibida é, talvez, outra forma de dizer: não te vamos deixar para trás.  

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