Lá vão eles de fato preto e gravata preta
Ar fechado, passo ensaiado
As televisões sempre perto
À espera do silêncio certo
Não choram, representam
A dor é medida, controlada
Cada olhar é um comunicado
Cada gesto, uma encenação
O luto vira palco
A morte, oportunidade
Falam baixo para parecer respeito
Mas pensam alto em proveito
Passam sérios, importantes
Graves como a ocasião exige
O povo vê, a câmara grava
E a verdade fica fora do enquadramento
Fato preto, gravata preta
Consciência branca
E no fim do cortejo
Segue tudo igual
Sem comentários:
Enviar um comentário