Primeiro foi o Lesley. Agora a Marta. Amanhã não sei.
Houve estragos. Alguns. Nada comparável ao que se vê noutros lados.
Fica a sensação de impotência perante a força do tempo. Não controlamos a natureza e ela lembra-nos isso sem pedir licença.
E, ainda assim, sinto uma calma estranha. Um silêncio interior. Talvez porque penso em Gaza, na Ucrânia, no Sudão, no Minnesota e em tantos outros lugares onde a destruição não vem do clima, mas da desumanidade, da ganância, do ódio, da mentira e da desinformação.
Penso também em quem nega as alterações climáticas e em quem tenta normalizar o que está a acontecer no mundo. Como se fosse inevitável. Como se não houvesse responsabilidade. Há escolhas. E há consequências.
No meio disto tudo, reconheço-me como um privilegiado. Não por mérito especial, mas por circunstância. Essa consciência não traz culpa. Traz dever.
Hoje, depois de uma noite bem dormida, senti vontade de escrever. Sem pretensão. Sem mágoa. Com esperança.
Num dia especial, fica este registo. Simples. Humano. Necessário.
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