Rosto talhado à navalha do tempo
pele dura
marcada por dias sem descanso
Olhos que já viram muito
e não pedem licença a ninguém
Há uma rudez nesta cara
que não é violência
é trabalho
é cansaço
é vida inteira dita sem palavras
Homem de poucas falas
de mãos ásperas
de silêncio pesado
Nesta cara não mora a doçura fácil
mora a verdade
crua
seca
sem enfeites
Como a terra
quando se abre para receber a semente
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