quarta-feira, abril 29, 2026

1 de Maio

 


                                  1.º de Maio 

                    Poema em forma de manifesto


O 1.º de Maio chega sempre como quem abre uma janela.

Entra luz, entra poeira, entra memória.

E no ar fica a pergunta antiga:

quem ergueu o chão onde hoje caminhamos?


Há dias que são feriados.

E há dias que são feridas abertas na história.

O 1.º de Maio é os dois.


É o eco das mãos que trabalharam até ao limite,

das vozes que disseram “basta” quando o mundo ainda não sabia ouvir,

dos corpos que se juntaram para lembrar que a dignidade

não é luxo , é raiz.


Hoje, quando falamos de trabalho, falamos de vida.

Da vida que se dobra, que se gasta, que se oferece.

Da vida que merece mais do que sobrevivência.

E é por isso que este dia continua a ser luta:

porque ainda há quem carregue o peso do mundo

sem nunca ser visto.


O 1.º de Maio é um poema escrito a muitas mãos.

Cada verso é uma reivindicação,

cada pausa é um direito conquistado,

cada rima é uma promessa de futuro.


E talvez seja isso que celebramos:

a teimosia luminosa de quem acredita

que o trabalho pode ser justo,

que o tempo pode ser nosso,

que a vida pode caber inteira dentro de um dia.


Hoje, levantamos a voz.

Não para gritar 

mas para lembrar que ainda estamos aqui,

a escrever o resto do poema.


Enquanto por aqui andar não esquecerei o esforço de tantos que nos antecederam . 


O 1.º de Maio é memória, mas também é futuro.

É a voz de quem veio antes e a responsabilidade de quem está agora.

É a certeza de que, enquanto houver desigualdade, silêncio não é opção.E talvez seja isso que mais importa:

continuar a levantar a voz, mesmo quando o mundo parece habituado ao barulho.



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