Reconhecer o trabalho de um artista é também reconhecer um caminho que quase nunca se vê. Neste caso falo do Seixas Peixoto, mas podia falar de tantos outros com quem me fui cruzando ao longo da vida. Alguns já não estão cá e fica o peso de não ter guardado melhor aquelas conversas longas, os copos, as noites e o tabaco partilhado.Quem olha apenas para a obra acabada raramente percebe o que está por trás. O desgaste intelectual, o cansaço físico, a dúvida constante, o recomeço vezes sem conta. Há dias em que uma peça parece finalmente certa depois de tanto tempo e esforço, e de repente é destruída em minutos. E isso dói.Eu não sou especialista em arte. Nem em nada, na verdade. Sou apenas alguém que observa. Gosto ou não gosto. Começo a reconhecer traços, intenções, caminhos. E isso, para mim, já chega.
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