O Poema
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
Com base neste poema
Todas as cartas que tentei escrever
Parecem-me
Vãs.
Não seriam cartas de sentimento se não fossem
Vãs.
Também deixei palavras no papel,
No meu tempo,
Como todos,
Vãs.
As cartas de quem sente, se há verdade,
Têm de ser
Vãs.
Mas, no fim,
Só aqueles que nunca ousaram escrever
Cartas de sentimento
São verdadeiramente
Vãos.
Quem me dera voltar ao tempo em que escrevia
Sem perceber
Cartas de emoção
Vãs.
Hoje, olhando para trás,
São as minhas próprias memórias
Dessas tentativas
Que me parecem
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