quinta-feira, abril 16, 2026

Dureza da vida

 Rosto talhado à navalha do tempo

pele dura

marcada por dias sem descanso


Olhos que já viram muito

e não pedem licença a ninguém


Há uma rudez nesta cara

que não é violência

é trabalho

é cansaço

é vida inteira dita sem palavras


Homem de poucas falas

de mãos ásperas

de silêncio pesado


Nesta cara não mora a doçura fácil

mora a verdade

crua

seca

sem enfeites


Como a terra

quando se abre para receber a semente 

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