quinta-feira, abril 23, 2026

Não por mim mas pelos meus

 Desilusão não por mim mas pelos meus 


Não por mim mas pelos meus 

Há dias em que a desilusão pesa mais do que devia. Não por mim , já vivi o suficiente para saber que a vida é feita de curvas, quedas e recomeços. O que me dói é olhar para o que está para vir e perceber que os meus vão herdar um mundo mais duro, mais desigual, mais frio do que aquele que eu sonhei para eles.Dói ver valores a desaparecerem como se fossem opcionais. Dói ver princípios trocados por conveniência. Dói ver respeito transformado em raridade. E dói ainda mais saber que tudo isto não caiu do céu , foi construído, permitido, normalizado ao longo do tempo.A pobreza real continua a crescer, a injustiça continua a repetir-se, e a pobreza de espírito alastra-se como se fosse inevitável. E o que mais me revolta é sentir que podia ter sido diferente. Que podíamos ter exigido mais, participado mais, lutado mais. Que podíamos ter deixado aos nossos um país e um mundo mais justo, mais digno, mais humano.Mas não foi isso que aconteceu. E agora, quando olho para o futuro, não vejo medo por mim , vejo preocupação pelos meus. Pelas gerações que vão ter de enfrentar desafios que nunca deviam ter existido. Pelos que vão pagar o preço das escolhas que não fizemos, das lutas que adiámos, das prioridades que deixámos escapar.Escrevo isto porque a desilusão também é um alerta. Porque ainda há tempo para mudar o rumo, mesmo que seja pouco a pouco. Porque os meus e os teus , merecem mais do que um mundo cansado, dividido e indiferente.Se não for por nós, que seja por eles. Porque o futuro não devia ser um peso. Devia ser uma promessa.


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