Esta semana e como é bom não ser dono de iPhones , iPads e companhia durante uma semana
Esta semana decretei a minha própria falência digital. Não tenho telemóvel, o iPad desapareceu do meu raio de visão e o computador virou um adereço decorativo. Quem tomou conta do “departamento de telecomunicações e multimédia” cá de casa foram os meus netos. O resultado? Uma paz impecável.
A parte mais curiosa é que, ao cruzar-me com alguns amigos, percebi que a epidemia é geral: estamos todos na mesma situação, alegremente expropriados dos nossos dispositivos pelas respetivas equipas de infantaria. Quase não nos falamos, e a verdade é que ninguém parece muito preocupado com isso.
Estar com os netos tem esta vantagem maravilhosa: a tolerância. Como qualquer avô que se preze, aplico aqui uma vista de olhos bastante mais generosa do que aquela que aplicava no tempo em que educava os pais deles. Sei perfeitamente que a ortodoxia pedagógica condena esta atitude, e sei ainda melhor que os meus filhos criticam o facilitismo. Mas, honestamente, podem criticar à vontade. O tempo que passo com os meus netos é um território soberano , pertence-me a mim e a eles, não aos pais. Não prescindo de uma única hora.A paciência que hoje tenho de sobra é a mesma que escasseava há umas décadas. Talvez porque a idade traga esta lucidez irónica de saber que o tempo não é infinito. Amanhã, tudo isto pode não passar de uma memória , mas, se assim for, que seja pelo menos a memória perfeitamente gravada de um avô manifestamente fixe.
E a semana está a passar , para a semana já tenho os meus instrumentos de comunicação , mais gastos , com umas quedas pelo meio , mas espero que funcionem ainda. Bom fim de semana com netos ou sem netos
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