Não gostam? Ponham para o lado. Não escrevo para agradar a ninguém. Escrevo porque gosto de pensar, de questionar e de dizer o que acredito ser verdadeiro. Sei que tenho os meus ódios de estimação. Sei também que há quem goste do que escrevo, embora nem sempre o diga. E sei, sobretudo, que há amigos que me leem, muitas vezes sem concordarem com tudo, mas que fazem questão de me manifestar apoio e apreço. Alguns até me confessaram que desconheciam esta minha faceta de quem escreve, reflete e intervém.
Enquanto for livre, continuarei a escrever o que penso. Sem amarras, sem donos e sem obediências. Não pertenço a nenhum partido e não escrevo ao serviço de interesses políticos. Identifico-me com uma esquerda tolerante, democrática e não radical, porque acredito na liberdade, na justiça social, na igualdade e no respeito pelas diferenças.
Mas esta convicção choca-se, todos os dias, com a realidade que me cerca. E pergunto-me: fará sentido escrever assim, quando vivemos rodeados de tanta mentira, de tanta intolerância, de tão mau jornalismo e de comentadores tão claramente comprometidos com interesses que não são os do público? Ainda assim, eu tento. Tento ouvir, tento ler, tento interpretar, tento filtrar. Porque acredito que é nesse esforço solitário e cansativo que ainda consigo distinguir o que é verdade do que é encenação.
Não peço que concordem comigo. Peço apenas que respeitem o meu direito de pensar e de escrever. Da mesma forma que respeito o direito dos outros de discordarem de mim. É assim que entendo a liberdade. E é por ela que continuo, mesmo quando o ruído é ensurdecedor e a mentira parece vencer.
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