O eclipse dos generais é comentadores
Ontem tivemos um eclipse. Foi uma festa.
Televisões por todo o lado, directos, entrevistas, comentadores, especialistas, gente a olhar para o céu como se o fim do mundo estivesse marcado no calendário.
Foi um bom dia.
Pouco se falou de Luís Neves. Pouco se falou da Ucrânia. Pouco se falou do Médio Oriente. Pouco se falou de Ceuta. Durante algumas horas, as guerras, as polémicas e os problemas do mundo tiveram direito a uma pausa.
Eu nem sequer comprei óculos para o eclipse. E foi uma alegria.
Pela primeira vez em muito tempo, pareceu que o tempo parou. Até os generais e os comentadores das guerras ficaram por momentos sem guerra para comentar.
O Sol tapou a realidade durante uns minutos.
E, confesso, soube bem.
Hoje voltamos ao normal. Os generais voltarão às televisões, os comentadores voltarão a explicar-nos o mundo e as guerras continuarão onde estavam.
Mas ontem tivemos um eclipse.
E, por umas horas, até a televisão nos deixou respirar.
Sem comentários:
Enviar um comentário