Hoje li uma frase que me ficou na cabeça:
“Eu quero saber quanto tempo falta.”
Fiquei a pensar nela. Não sei se quero verdadeiramente saber.Quanto tempo falta para quê? Para morrer? Para deixar de fazer? Para deixar de pensar? Para deixar de estar com quem gosto?
Talvez seja uma pergunta que todos fazemos em algum momento da vida, principalmente quando começamos a perceber que o tempo já não é infinito. Durante muitos anos vivemos como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Depois percebemos que não.
Mas eu não sei se queria conhecer a resposta.
Se soubesse que faltavam dez anos, talvez pensasse que ainda tenho muito tempo. Se fossem dois, talvez começasse a contar os dias. Se fossem poucos meses, provavelmente olharia para tudo de outra maneira.
E eu não quero viver a contar o tempo.
Quero viver o tempo que tenho.
Continuar a pensar, porque ainda não me reformei de pensar. Continuar a perguntar, a discordar, a tentar perceber este mundo tantas vezes estranho e injusto. Continuar a gostar das pessoas que amo, da família, dos amigos, das pequenas coisas que muitas vezes damos como garantidas.
Tenho consciência de que o tempo passa. Não tenho medo de o reconhecer. Tenho medo, isso sim, de passar pelo tempo sem o viver.
Talvez seja essa a questão.
Não saber quanto tempo falta, mas saber o que fazemos com o tempo que temos.
Por isso, depois de pensar nesta frase, continuo sem saber se quero saber quanto tempo falta.
Talvez prefira outra pergunta:
O que ainda quero fazer com o tempo que tenho?
Essa, sim, vale a pena responder.
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